Bela, recatada e do lar #soquenao

Uma voz feminina contra estereótipos machistas da sociedade

Há poucas semanas a Revista Veja produziu uma reportagem que tinha Marcela Temer, esposa do vice-presidente Michel Temer, como personagem central. Para muita gente o viés da matéria, assim como a sua manchete “Bela, recatada e do lar”, envelopou Marcela como a mulher “perfeita”, delegada à sombra de seu parceiro.

O assunto incendiou ainda mais o já inflamado debate sobre o machismo e a luta pela equidade de gêneros no País. Pelas ruas ou pela internet, armadas com a irônica hashtag #belarecatadaedolar e fotos “ousadas”, milhares de mulheres se manifestaram terminantemente contra estereótipos que as enfraquecem ou as desvalorizam. Nada mais justo que uma voz feminina para comentar o tema.

A Olhar São Paulo conversou com Viviane Duarte, uma empresária que personifica o empoderamento feminino em sua figura profissional. Jornalista e executiva respeitada, ela criou a Plano Feminino, plataforma de conteúdo e serviços de consultoria em comunicação que prepara marcas para estabelecer conexões assertivas e engajadores com as mulheres de hoje. Confira o papo a seguir:

Por que você não é “bela, recatada e do lar”?

Na verdade eu sou ótima em casa, adoro cozinhar e cuidar das coisas, mas lá essa tarefa não é só minha e sim de todos que moram nela: eu, meu marido e meu filho. Sou educada e sei dos meus direitos e isso significa que não preciso adotar “bons modos” padrões para me fazer ouvir ou ser respeitada. E minha beleza diz respeito à minha história e minhas conquistas como mulher e passa longe da exaltação da aparência apenas. Isso minimizaria quem eu sou. Não concordo com padrões e estereótipos. Colocar as mulheres em caixinhas de perfeição e adoração é, no mínimo, retrógrado e machista. Não faz sentido algum.

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Viviane Duarte

Qual é o estágio atual da discussão sobre igualdade de gêneros no país? A maneira como a Veja envelopou a Marcela Temer é um sinal sintomático do machismo impregnado em todas as áreas de atividade? Ainda ganhamos menos, somos a minoria nos cargos de alto escalão executivo e sofremos violência doméstica e violência na publicidade, que insiste em nos retratar como objeto. Além disso, temos uma sociedade que não compreende a importância da equidade de gênero. Mas estamos construindo um futuro melhor e mais consciente para nossas próximas gerações, eu acredito.

Esse movimento de empoderamento feminino que vemos em alguns setores e iniciativas pontuais (inclusive na propaganda) vieram para ficar?

Somos 85% do poder de decisão de compra no mercado e estamos cada vez mais conscientes de nossos direitos e de quem somos de verdade, sem photoshop e alienação. E é assim, como mulheres reais e inspiradoras, que queremos ser representadas. Não somos só peito e bunda e nem a neurótica da limpeza da casa. Somos e queremos mais, quem não entender isso tá fora do jogo.

O que é preciso fazer para mudar esse mundo machista? Dialogar. Insistir. Lutar e ocupar nossos espaços com conhecimento de causa e capacidade de sermos agentes de transformação. A mulher pode ser o que quiser desde que não seja obrigada a se enquadrar em padrões que insistem em perpetuar e nos mostrar que são os únicos que nos cabem. Vamos ser o que quisermos em nossos lares, na politica, nas empresas e na sociedade.

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